sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Ano Um

Ela era parte hindu e parte budista
Era a única riscada da minha lista
Eu, era parte nada e outra parte ateu
Não cria no amor, na alegria ou num deus

Ela estava sentada, pensando no nada
Em pose de fada
Eu tava andando, pra variar, reclamando
Chorando e pensando

Ela veio em silêncio, parou em minha fronte
Me levou pela ponte
Me passou um sermão, disse que o louco é são
E que o sim, já é não

Me ensinou sobre estrelas, e como vendê-las
Para subvertê-las
Em disparates de cor, em arroubos de flor
E, destartes, num amor

Me contou do réu, do juiz e do céu
E disse que o léu tinha gosto de mel
Mostrou-me a poesia, e beleza que via
Em cada canto da travessia

Era médium e sinestésica, e via a forma do som,
A cor do tom, e se eu era bom
Me dividiu em antes e depois dela
E meu corpo em sequela, derreteu qual vela

E no meu calendário, ela é o marco-zero

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